No Cárcere
Por que hei de, em tudo quanto vejo, vê-la?Por que hei de eterna assim reproduzidaVê-la na água do mar, na luz da estrela,Na nuvem de ouro e na palmeira erguida?
Fosse possível ser a imagem delaDepois de tantas mágoas esquecida!...Pois acaso será, para esquecê-la,Mister e força que me deixe a vida?
Negra lembrança do passado! lentoMartírio, lento e atroz! Por que não há deSer dado a toda a mágoa o esquecimento?
Por quê? Quem me encadeia sem piedadeNo cárcere sem luz deste tormento,Com os pesados grilhões desta saudade?
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