Os Amores da Aranha

Com o veludo do ventre a palpitar hirsutoE os oito olhos de brasa ardendo em febre estranha,Vede-a: chega ao portal do intrincado reduto,E na glória nupcial do sol se aquece e banha.

Moscas! podeis revoar, sem medo à sua sanha:Mole e tonta de amor, pendente o palpo astuto,E recolhido o anzol da mandíbula, a aranhaAnsiosa espera e atrai o amante de um minuto...

E ei-lo corre, ei-lo acode à festa e à morte! Um hinoCurto e louco, um momento, abala e inflama o faustoDo aranhol de ouro e seda... E o aguilhão assassino

Da esposa satisfeita abate o noivo exausto,Que cai, sentindo a um tempo, - invejável destino!A tortura do espasmo e o gozo do holocausto.

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