Quarenta Anos

Sim! como um dia de verão, de acesaLuz, de acesos e cálidos fulgores,Como os sorrisos da estação das flores,Foi passando também tua beleza.

Hoje, das garras da descrença presa,Perdes as ilusões. Vão-se-te as coresDa face. E entram-te n'alma os dissabores,Nublam-te o olhar as sombras da tristeza.

Expira a primavera. O sol fulguraCom o brilho extremo... E aí vêm as noites frias,Aí vem o inverno da velhice escura...

Ah! pudesse eu fazer, novo Ezequias,Que o sol poente dessa formosuraVolvesse à aurora dos primeiros dias!

Comments

Loading comments…