Sinfonia
Meu coração, na incerta adolescência, outrora,Delirava e sorria aos raios matutinos,Num prelúdio incolor, como o alegro da aurora,Em sistros e clarins, em pífanos e sinos.
Meu coração, depois, pela estrada sonoraColhia a cada passo os amores e os hinos,E ia de beijo a beijo, em lasciva demora,Num voluptuoso adágio em harpas e violinos.
Hoje, meu coração, num scherzo de ânsias, ardeEm flautas e oboés, na inquietação da tarde,E entre esperanças foge e entre saudades erra...
E, heróico, estalará num final, nos clamoresDos arcos, dos metais, das cordas, dos tambores,Para glorificar tudo que amou na terra!
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