Ad juvenis diem
Cor de leite é a manhã. E vem envolta de ouroEm mãos de aroma, unhas de seda!E um ritmo feliz, doce, fresco, qual coroQue, em voz feliz, segredaAmor às árvores, segreda.E oh! volúpia, aromal, como de âmbar! O diaQue doida, esperta, corta, em fogo, a alegriaDas asasSobre os montes, sobre os vales, sobre as casas!É o dia?Dançam corolas, dançam, vagas de ouro,Ritmos de um coro...E a ânsia de quanto ser ergue um vôo subindo,Luzindo, luzindo!
Há curvas quentes, linhas leves de almasEspirituais jóias incalmas...Insetos vão ou vêm, na altura,Para a sede matar, na amorosa doçuraDe um vinho azul, tão bom das almas!E a ânsia de quanto ser ergue um vôo luzindo,Subindo, subindo!Mas bom é o Sol! Faz um banqueteNo prado, na rechã, no bosque, nas montanhas,E nos fica a vontade a um alfineteDe ouro voluptuosamente e (inda) outro alfinete...
Mas são venturas e tamanhasOh! vida! Oh! bem-amada!De fina luz mais encantadaComo a criança nua, o coração nos banhas!Rio claro...Ah! por que choras?São dez horas!Passos azuis do dia!Flórea magia!
O Sol, que é muito amigoE servo do Homem que, ora, é um Lúculo mendigo,Pratos de luz, neste banqueteTão largo! Tão louro!Dá-nos a ver agora, comoHalos de um deus em cada pomoE a vontade nos fica a um trêmulo alfinete,A um doce alfinete, de ouro.
A Harpa do céu azul vibra como a AlegriaEm cada peitoSatisfeitoÉ meio dia! É meio dia!
Oh! Natureza moça em túnica esmeraldaFlavo o seio a mostrar à boca ressequidaNa hora ruiva e que escaldaDá-nos eterno o fruto à fome.Que não te abate ou te consomeE essa, incontida,Chuva de ouro vital que transfigura a Vida!
Aí vem a hora viúva...O Sol, nem sempre a fruto louroHomens! nos levará, os alfinetes de ouroSobre nós e como chuva.Cinzas serão depois dessa hora...
Mas natureza moça, a pingar, de esmeralda,Na hora metálica, que escaldaE agoniza agoraAlonga o tempo a essa magiaQue não vai muito além da hora do meio-dia.
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