Desilludida
Rosa, rosa de amor (1902)
Sou como a corça feridaQue vai, sedenta e arquejante,Gastando uns restos de vidaEm busca da agua distante.
Bem sei que já me não ama,E sigo amorosa e afflicta,Essa voz que não me chama,Esse olhar que não me fita.
Bem reconheço a loucuraDeste amor abandonadoQue se abre em flor, e procuraViver de um sonho acabado;
E é como a corça feridaQue vai, sedenta e arquejante,Gastando uns restos de vidaEm busca da agua distante:
Só, perdido no deserto,Segue empós do seu carinho;Vai-se arrastando ...e vai certoQue morre pelo caminho.
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