Serenata

Rosa, rosa de amor (1902)

Pela vasta noite indolenteVoga um perfume estranho.Eu sonho... E aspiro o vago aroma ausenteDo teu cabello castanho.

Pela vasta noite tranquillaPairam, longe, as estrellas.Eu sonho... O teu olhar tambem scintillaAssim, tão longe como ellas.

Pela vasta noite povoadaDe rumores e arquejosEu sonho... E’ tua voz, entrecortadaDe suspiros e de beijos.

Pela vasta noite sem termo,Que deserto sombrio!Eu sonho... Inda é mais triste, inda é mais ermoO nosso leito vasio.

Pela vasta noite que findaSóbe o dia risonho...E eu cerro os olhos para ver-te ainda,Ainda e sempre, em meu sonho.

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